Tarifaço, Etanol de Milho e Crise: o Agro em 2025 e as Perspectivas para 2026

O agronegócio brasileiro vive um momento de intensos debates. De um lado, manchetes frequentes sobre recuperações judiciais, inadimplência e crise financeira no campo. De outro, setores crescendo de forma acelerada, como o etanol de milho e o biodiesel, redesenhando a estrutura do agro nacional.

Mas afinal: o agro está em crise ou passando por uma transformação?
Neste artigo, você vai entender o cenário real de 2025, os impactos do tarifaço internacional, o avanço do etanol de milho e o que esperar para 2026.

Existe mesmo uma crise generalizada no agronegócio?

A percepção de crise no agro ganhou força nos últimos anos, especialmente com o aumento de:

  • Recuperações judiciais de produtores rurais
  • Inadimplência no crédito agrícola
  • Margens apertadas após o pico de preços das commodities

No entanto, especialistas alertam: a crise não é generalizada.

Segundo análises de mercado, o problema está concentrado em determinados perfis de produtores — especialmente aqueles que expandiram rapidamente durante o boom das commodities, assumindo custos elevados com máquinas, terras, fertilizantes e tecnologia quando os preços estavam no pico.

Enquanto isso, outros setores seguem crescendo.

Quem está indo bem no agro brasileiro em 2025?

Apesar das dificuldades em algumas cadeias, dois setores se destacam como os mais dinâmicos do agro brasileiro:

Etanol de milho

  • Crescimento acelerado de usinas
  • Custos de produção mais baixos que o etanol de cana
  • Produção contínua ao longo do ano
  • Forte integração com a cadeia de ração animal (DDG)

Biodiesel

  • Expansão impulsionada por mandatos obrigatórios
  • Aumento da demanda por óleo de soja
  • Geração de farelo, reduzindo custos da proteína animal

👉 Conclusão: o agro não parou. Ele está mudando de eixo.

O etanol de milho como protagonista do agro

O etanol de milho é hoje considerado o setor mais dinâmico do agronegócio brasileiro. Quem entrou cedo colheu resultados. Quem ficou de fora, em muitos casos, se arrepende.

Por que o etanol de milho cresceu tanto?

  • Brasil é o 3º maior produtor de milho do mundo
  • Alta previsibilidade de produção
  • Menor dependência climática que a cana
  • Forte demanda por biocombustíveis

Além disso, o etanol de milho gera subprodutos estratégicos, como o DDG, que reduz o custo da ração animal e fortalece toda a cadeia de proteínas.

Abundância de etanol em 2026: risco ou oportunidade?

As projeções indicam que 2026 será o primeiro grande teste do setor.

Com dezenas de projetos em andamento, o mercado deve enfrentar:

  • Oferta elevada de etanol
  • Pressão negativa sobre preços
  • Margens mais apertadas para produtores

Para absorver esse volume, será necessário:

  • Aumento do consumo de etanol hidratado
  • Expansão para novas regiões
  • Avanço do uso em aviação e navegação
  • Possíveis exportações no médio prazo

Ou seja, o desafio não é produzir — é vender bem.

O fim da parceria Vibra e Copersucar: o que isso revela?

A decisão da Vibra (ex-BR Distribuidora) de encerrar a sociedade com a Copersucar na Evolua Etanol é um marco da mudança estrutural do setor.

O que motivou o rompimento?

  • Perda de competitividade do etanol de cana
  • Restrição na compra de etanol de milho
  • Maior oferta durante a entressafra
  • Estratégia de ganhar market share no etanol

👉 A mensagem é clara: quem não se adaptar ao etanol de milho perde espaço.

Tarifaço internacional: impacto real no agro brasileiro

O chamado “tarifaço”, associado à política comercial dos Estados Unidos, gerou temor no mercado. Mas o impacto foi menor do que o esperado, especialmente para o Brasil.

O que aconteceu na prática?

  • A China reduziu compras dos EUA
  • O Brasil ocupou rapidamente esse espaço
  • Exportações de soja bateram recordes
  • A carne brasileira manteve forte competitividade

O Brasil mostrou capacidade de redirecionar mercados com agilidade.

Carne bovina brasileira: a mais competitiva do mundo

Mesmo com oscilações no ciclo pecuário, o Brasil segue com uma grande vantagem:

  • Boi mais barato do mundo
  • Capacidade de exportação em grande escala
  • Concorrentes em dificuldade (EUA, UE, Austrália)

Para 2026, a expectativa é:

  • Menor oferta de animais para abate
  • Exportações fortes
  • Possível alta de preços no mercado interno

Isso pode gerar pressão inflacionária moderada, mas sem repetir os piores cenários de anos anteriores.

Safra 2025/26: o que esperar?

As projeções indicam:

  • Crescimento da área de soja (~2%)
  • Crescimento expressivo do milho safrinha (~5%)
  • Clima mais favorável no início da safra
  • Custos ainda apertados para parte dos produtores

👉 2026 tende a ser um “repeteco” de 2025: difícil para quem está descapitalizado, administrável para quem tem caixa e planejamento.

Fertilizantes mais baratos: economia agora, risco depois?

Muitos produtores reduziram investimentos em fertilidade do solo para preservar caixa. No curto prazo, isso ajuda. No médio prazo, pode gerar riscos:

  • Extração maior de nutrientes
  • Reposição abaixo do ideal
  • Possíveis impactos futuros de produtividade

Ainda não é um problema generalizado, mas exige atenção.

O agro brasileiro está em crise ou em transição?

A resposta mais honesta é: em transição.

✔ Existe crise? Sim, para parte dos produtores.
✔ Existe crescimento? Também.
✔ O agro está parando? Não. Está se transformando.

O avanço do etanol de milho, do biodiesel, da integração com proteínas e da reorganização financeira indica um agro mais:

  • Industrial
  • Integrado
  • Orientado por dados
  • Sensível a margens

Conclusão: o que define o sucesso no agro em 2026

O produtor que terá sucesso será aquele que:

  • Controla custos com disciplina
  • Evita alavancagem excessiva
  • Entende ciclos de mercado
  • Se adapta às mudanças estruturais
  • Usa informação para decidir

O agro brasileiro segue forte, mas não perdoa erros de gestão.

6 Estratégias Para Aumentar a Eficiência da Adubação Nitrogenada do Milho

O nitrogênio é o nutriente mais exigido pela cultura do milho e, ao mesmo tempo, um dos que mais gera perdas no sistema produtivo. Muitos produtores investem pesado em adubação nitrogenada, mas não conseguem converter esse investimento em produtividade, rentabilidade e sustentabilidade.

Neste artigo, você vai entender por que o nitrogênio é tão estratégico para o milho e conhecer 6 estratégias práticas e eficientes para aumentar o aproveitamento do nutriente, reduzir perdas e melhorar o retorno sobre o investimento.

Por Que o Nitrogênio É Tão Importante Para o Milho?

O milho é uma cultura altamente exigente em nitrogênio. Em média, a planta necessita de cerca de 24 kg de nitrogênio para cada tonelada de grãos produzida, considerando a extração total (grãos + restos culturais).

Quando há deficiência de nitrogênio, processos vitais da planta são diretamente prejudicados, como:

  • Redução da absorção de nitrato
  • Comprometimento do sistema radicular
  • Atraso no florescimento
  • Queda na síntese de clorofila
  • Redução do crescimento foliar
  • Indução da síntese de antocianinas (arroxeamento das folhas)

O famoso “V invertido” nas folhas mais velhas indica que a planta já está sofrendo perdas produtivas significativas.

Por isso, não basta apenas aplicar nitrogênio: é fundamental aumentar a eficiência do manejo.

  1. Fixação Biológica com Methylobacterium symbioticum

Uma das estratégias mais inovadoras é o uso do Methylobacterium symbioticum, uma bactéria endofítica descoberta recentemente pela ciência.

Essa bactéria:

  • Vive na filosfera (superfície das folhas)
  • Utiliza compostos orgânicos liberados pela planta como fonte de energia
  • É capaz de fixar nitrogênio atmosférico (N₂) e convertê-lo em amônio
  • Se movimenta pelos tecidos vegetais via xilema

Estudos demonstram que o uso dessa bactéria:

  • Aumenta a atividade da clorofila
  • Melhora o crescimento das plantas
  • Permite reduzir a dose de adubação nitrogenada mineral sem perda de produtividade

Além disso, o nitrogênio fornecido biologicamente não causa impactos negativos à biologia do solo, como ocorre com fontes convencionais.

  1. Uso de Azospirillum brasilense

O Azospirillum brasilense é uma tecnologia já consolidada, mas ainda subutilizada no campo.

Segundo dados da Embrapa, seu uso pode:

  • Reduzir em até 25% a adubação nitrogenada
  • Fornecer entre 20 e 30 kg de nitrogênio por hectare
  • Estimular o crescimento radicular por meio da produção de auxinas

Pode ser aplicado via:

  • Tratamento de sementes
  • Pulverização foliar

É uma solução de baixo custo, com excelente retorno agronômico e ambiental.

  1. Molibdênio Via Folha Para Melhor Aproveitamento do Nitrogênio

O molibdênio (Mo) é um micronutriente essencial para a eficiência da adubação nitrogenada, pois atua diretamente na enzima nitrato redutase, responsável pela assimilação do nitrogênio na planta.

Nos solos tropicais, o molibdênio:

  • É facilmente adsorvido por óxidos de ferro
  • Apresenta baixa disponibilidade via solo

Por isso, a aplicação via folha ou tratamento de sementes é altamente eficiente. Doses entre 60 e 120 g/ha podem ser aplicadas em estádios como V4, V8, V10 ou pré-pendão, aumentando significativamente o aproveitamento do nitrogênio.

  1. Relação Nitrogênio x Enxofre: Um Equilíbrio Essencial

Nitrogênio e enxofre trabalham em conjunto dentro da planta. Quando essa relação está equilibrada (entre 7:1 e 10:1), ambos funcionam melhor.

Os benefícios incluem:

  • Maior eficiência da fixação biológica de nitrogênio
  • Melhor qualidade proteica do grão
  • Aumento de proteínas de maior valor biológico (globulinas, glutelinas e albuminas)

O enxofre também melhora a composição da proteína do milho, reduzindo a dependência da zeína, que possui baixo valor nutricional.

  1. Combinação de Nitrogênio Nítrico e Amoniacal

Outro ponto-chave é não usar apenas uma fonte de nitrogênio.

Pesquisas mostram que:

  • A mesma dose de nitrogênio, quando aplicada apenas em uma forma, produz menos
  • A mescla entre fontes nítricas e amoniacais pode gerar ganhos superiores a 1,6 tonelada por hectare

Exemplos de fontes:

  • Amoniacais: sulfato de amônio, fosfato de amônio
  • Nítricas: ureia

A combinação melhora a absorção e reduz perdas.

  1. Uso de Ureia Complexada Para Reduzir Perdas

A ureia convencional pode perder até 30–32% do nitrogênio por volatilização, além de perdas por lixiviação e desnitrificação.

A ureia complexada, associada a compostos orgânicos (como turfas), permite:

  • Reduzir drasticamente a volatilização
  • Melhorar a eficiência do nitrogênio aplicado
  • Diminuir a dose necessária
  • Proteger a biologia do solo

Essa tecnologia representa um grande avanço para quem busca produtividade aliada à sustentabilidade.

Adubação Nitrogenada Eficiente Vai Além da Dose

Mais importante do que perguntar “quantos quilos de nitrogênio aplicar?” é entender:

  • Qual o retorno sobre o investimento (ROI)
  • Qual o impacto na biologia do solo
  • Como melhorar a eficiência do sistema produtivo

A agricultura moderna exige uma visão holística, integrando nutrição, biologia e manejo regenerativo.

📘 Quer Aprofundar Seu Conhecimento e Produzir Mais Gastando Menos?

Se você quer dominar estratégias avançadas de adubação, reduzir a dependência de insumos químicos e aumentar o lucro de forma sustentável, recomendo a leitura do livro:

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Esse material vai ajudar você a:

  • Tomar decisões mais assertivas no manejo do milho
  • Aumentar a eficiência dos fertilizantes
  • Produzir com mais rentabilidade e menor risco

Invista em conhecimento — ele é o insumo com maior retorno no campo. 🌱🚜

A História do Milho no Brasil: Origem, Chegada e Evolução ao Longo dos Milênios.

O milho é um dos alimentos mais antigos e importantes da humanidade — e no Brasil sua história começou muito antes da chegada dos colonizadores europeus. Cultivado pelos povos indígenas há milhares de anos, o grão se tornou parte fundamental da cultura, da agricultura e da culinária brasileira.
Neste artigo, você vai descobrir como o milho chegou ao Brasil, sua origem, domesticação, e como se tornou essencial na dieta nacional.

A Chegada do Milho ao Brasil: Uma História de 6 Mil Anos.

Pesquisas arqueológicas indicam que o milho chegou ao Brasil há cerca de 6 mil anos, muito antes de qualquer contato europeu.
Ele teria entrado pelo oeste da Amazônia, trazido por povos indígenas que já trocavam sementes em redes de comércio que atravessavam a América do Sul.

Esse milho ainda estava em processo de domesticação, mas já era um dos alimentos mais valiosos para esses povos.

Origem do Milho: Um Grão nascido no México.

O milho não nasceu no Brasil — sua origem está nas antigas civilizações do México, que foram as primeiras a domesticar a planta a partir de seu ancestral selvagem, conhecido como teosinto.

Com o passar dos milênios, o milho se espalhou por toda a América graças às migrações indígenas e às rotas de comércio que conectavam diferentes etnias, culturas e regiões.

A Domesticação do Milho pelos Povos Indígenas Brasileiros.

Quando chegou ao território brasileiro, o milho ainda não era a planta robusta que conhecemos hoje. A evolução do cultivo se deve principalmente aos povos indígenas brasileiros, que:

Selecionaram sementes mais produtivas

Adaptaram o milho a diversos biomas

Aperfeiçoaram técnicas de plantio

Criaram variedades regionais usadas até hoje

Graças a esse conhecimento ancestral, o milho se espalhou por diferentes partes do país, incluindo Amazônia, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

O Milho como Base da Alimentação Indígena.

Para os povos indígenas, o milho era muito mais do que alimento: era cultura, espiritualidade e estratégia de sobrevivência.

Entre as principais utilizações indígenas estavam:

Mingaus

Farinhas

Bebidas fermentadas (como o cauim)

Bolos e massas simples

Com a chegada dos portugueses em 1500, o milho ganhou ainda mais importância, sendo incorporado rapidamente à dieta colonial.

A Expansão do Milho na Culinária Brasileira.

Durante o período colonial, o milho se tornou essencial, especialmente nas regiões onde a mandioca e o trigo eram escassos.
O grão passou a ser usado principalmente:

Como farinha (base de muitos pratos coloniais)

Em broas e bolos

Em receitas típicas que continuam populares até hoje

Atualmente, o milho é um dos alimentos mais consumidos do país, presente em pratos como:

Pamonha

Curau

Cuscuz

Polenta

Pipoca

Canjica

E claro, também é um dos pilares do agronegócio brasileiro.

A Importância Atual do Milho no Brasil.

Hoje, o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de milho do mundo.
O grão se tornou fundamental para:

Alimentação humana

Nutrição animal (principalmente aves e suínos)

Produção de biocombustíveis

Indústria alimentícia

Exportações agrícolas

Essa relevância tem raízes profundas na história indígena — e milênios de adaptação e evolução.

Conclusão

Um Grão Milenar que Moldou o Brasil.

A história do milho no Brasil é uma jornada que começa há 6 mil anos, construída por povos indígenas e fortalecida ao longo dos séculos.
De alimento sagrado a gigante do agronegócio, o milho revela a força da cultura agrícola brasileira e sua capacidade de evoluir com o tempo.

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