O nitrogênio é o nutriente mais exigido pela cultura do milho e, ao mesmo tempo, um dos que mais gera perdas no sistema produtivo. Muitos produtores investem pesado em adubação nitrogenada, mas não conseguem converter esse investimento em produtividade, rentabilidade e sustentabilidade.
Neste artigo, você vai entender por que o nitrogênio é tão estratégico para o milho e conhecer 6 estratégias práticas e eficientes para aumentar o aproveitamento do nutriente, reduzir perdas e melhorar o retorno sobre o investimento.
Por Que o Nitrogênio É Tão Importante Para o Milho?
O milho é uma cultura altamente exigente em nitrogênio. Em média, a planta necessita de cerca de 24 kg de nitrogênio para cada tonelada de grãos produzida, considerando a extração total (grãos + restos culturais).
Quando há deficiência de nitrogênio, processos vitais da planta são diretamente prejudicados, como:
- Redução da absorção de nitrato
- Comprometimento do sistema radicular
- Atraso no florescimento
- Queda na síntese de clorofila
- Redução do crescimento foliar
- Indução da síntese de antocianinas (arroxeamento das folhas)
O famoso “V invertido” nas folhas mais velhas indica que a planta já está sofrendo perdas produtivas significativas.
Por isso, não basta apenas aplicar nitrogênio: é fundamental aumentar a eficiência do manejo.
- Fixação Biológica com Methylobacterium symbioticum
Uma das estratégias mais inovadoras é o uso do Methylobacterium symbioticum, uma bactéria endofítica descoberta recentemente pela ciência.
Essa bactéria:
- Vive na filosfera (superfície das folhas)
- Utiliza compostos orgânicos liberados pela planta como fonte de energia
- É capaz de fixar nitrogênio atmosférico (N₂) e convertê-lo em amônio
- Se movimenta pelos tecidos vegetais via xilema
Estudos demonstram que o uso dessa bactéria:
- Aumenta a atividade da clorofila
- Melhora o crescimento das plantas
- Permite reduzir a dose de adubação nitrogenada mineral sem perda de produtividade
Além disso, o nitrogênio fornecido biologicamente não causa impactos negativos à biologia do solo, como ocorre com fontes convencionais.
- Uso de Azospirillum brasilense
O Azospirillum brasilense é uma tecnologia já consolidada, mas ainda subutilizada no campo.
Segundo dados da Embrapa, seu uso pode:
- Reduzir em até 25% a adubação nitrogenada
- Fornecer entre 20 e 30 kg de nitrogênio por hectare
- Estimular o crescimento radicular por meio da produção de auxinas
Pode ser aplicado via:
- Tratamento de sementes
- Pulverização foliar
É uma solução de baixo custo, com excelente retorno agronômico e ambiental.
- Molibdênio Via Folha Para Melhor Aproveitamento do Nitrogênio
O molibdênio (Mo) é um micronutriente essencial para a eficiência da adubação nitrogenada, pois atua diretamente na enzima nitrato redutase, responsável pela assimilação do nitrogênio na planta.
Nos solos tropicais, o molibdênio:
- É facilmente adsorvido por óxidos de ferro
- Apresenta baixa disponibilidade via solo
Por isso, a aplicação via folha ou tratamento de sementes é altamente eficiente. Doses entre 60 e 120 g/ha podem ser aplicadas em estádios como V4, V8, V10 ou pré-pendão, aumentando significativamente o aproveitamento do nitrogênio.
- Relação Nitrogênio x Enxofre: Um Equilíbrio Essencial
Nitrogênio e enxofre trabalham em conjunto dentro da planta. Quando essa relação está equilibrada (entre 7:1 e 10:1), ambos funcionam melhor.
Os benefícios incluem:
- Maior eficiência da fixação biológica de nitrogênio
- Melhor qualidade proteica do grão
- Aumento de proteínas de maior valor biológico (globulinas, glutelinas e albuminas)
O enxofre também melhora a composição da proteína do milho, reduzindo a dependência da zeína, que possui baixo valor nutricional.
- Combinação de Nitrogênio Nítrico e Amoniacal
Outro ponto-chave é não usar apenas uma fonte de nitrogênio.
Pesquisas mostram que:
- A mesma dose de nitrogênio, quando aplicada apenas em uma forma, produz menos
- A mescla entre fontes nítricas e amoniacais pode gerar ganhos superiores a 1,6 tonelada por hectare
Exemplos de fontes:
- Amoniacais: sulfato de amônio, fosfato de amônio
- Nítricas: ureia
A combinação melhora a absorção e reduz perdas.
- Uso de Ureia Complexada Para Reduzir Perdas
A ureia convencional pode perder até 30–32% do nitrogênio por volatilização, além de perdas por lixiviação e desnitrificação.
A ureia complexada, associada a compostos orgânicos (como turfas), permite:
- Reduzir drasticamente a volatilização
- Melhorar a eficiência do nitrogênio aplicado
- Diminuir a dose necessária
- Proteger a biologia do solo
Essa tecnologia representa um grande avanço para quem busca produtividade aliada à sustentabilidade.
Adubação Nitrogenada Eficiente Vai Além da Dose
Mais importante do que perguntar “quantos quilos de nitrogênio aplicar?” é entender:
- Qual o retorno sobre o investimento (ROI)
- Qual o impacto na biologia do solo
- Como melhorar a eficiência do sistema produtivo
A agricultura moderna exige uma visão holística, integrando nutrição, biologia e manejo regenerativo.
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